Da delimitação do campo à sociedade das minas

06-03-08

Da delimitação do campo à sociedade das minas

Permalink 16:07:10, Categories: Número 3 - Outubro 2007  

3. DELIMITAÇÃO DO CAMPO DAS MINAS

A 24 de Março de 1922, em resposta ao requerido por Mário Nery Faria de Magalhães e Eurico Leopoldo Faria de Magalhães, é publicado no Diário do Governo nº 68 - 2ª Série, uma portaria assinada pelo então Ministro do Trabalho, Vasco Borges, que torna os requerentes legais proprietários do descobrimento das minas de ouro do Poço Redondo.
São então delimitadas as minas e determinado aos requerentes para no prazo de seis meses solicitarem a concessão, provarem que possuírem 80.000 réis para preparação da lavra do jazigo, e apresentarem proposta de um responsável inidóneo para dirigir os trabalhos.
O Alvará de concessão das minas, assinado pelo então Presidente da República, Dr. António José D’Almeida, passado a favor dos irmãos Mário Nery Faria Magalhães e Eurico Leopoldo Faria de Magalhães, veio a ser publicado no Diário do Governo nº 43 - 2ª Série, de 22 de Fevereiro de 1923.

4 . SOCIEDADE DAS MINAS DO POÇO REDONDO

Entretanto surgiu a SOCIEDADE DAS MINAS DE OURO DO POÇO REDONDO, LDª, com sede em Tomar, cujo documento de constituição veio a ser publicado no Jornal "Sporting de Tomar" na sua edição de 29 de Abril de 1923, da qual, além dos irmãos Magalhães, faziam parte outros ilustres e distintos Tomarenses.
Com o capital social de 120.000$00, subscrito por 24 sócios, esta Sociedade tinha como sócio maioritário o industrial João de Oliveira Casquilho - proprietário da fábrica de papel da Matrena -, com uma quota de 40.000$00.
Os irmãos Mário e Eurico de Magalhães ficaram com uma quota de 7.500$00 cada um e os restantes sócios com quotas de 6.000$00 (António Gonçalves da Silva); 5.000$00 (D. Alexandre Dias Tuesta, Bernardino Lopes, Clemente Vicente, João Antunes Lopes, José dos Santos, António Antunes Lopes, Feliciano de Matos e João Manuel dos Santos Faria), 3.000$00 (Albino de Lima Simões), 2.000$00 (João Torres Pinheiro, José dos Santos Vasconcelos, António da Fonseca Simões e Adriano de Lima Simões), e 1.000$00 (Dr. Cândido Nunes Madureira, Álvaro Gomes de Vasconcelos, Feliciano Pereira, Filipe Antunes Rola, Henrique da Fonseca Simões, Carlos Oliveira, Augusto de Sousa Silveira e Adriano de Lima Simões).
O capital social poderia ser aumentado até 200.000$00, se assim fosse decidido em assembleia geral, tanto por admissão de novos sócios, como por subscrição dos sócios fundadores, devendo, neste último caso e na falta de acordo em contrário, o aumento ser feito por eles na proporção das respectivas quotas.
A administração da Sociedade e a sua representação em juízo e fora dele, activa e passivamente, era exercida por uma gerência composta por três elementos efectivos e outros tantos substitutos, eleitos pela assembleia geral dos sócios, excepto nas relações com o Estado em que a representação da Sociedade era da responsabilidade dos irmãos Mário e Eurico de Magalhães
Da primeira gerência, ainda provisória, fizeram parte os sócios António Gonçalves da Silva, Henrique da Fonseca Simões e Mário Nery Faria de Magalhães, como efectivos, e como substitutos, António da Fonseca Simões, Dr. Cândido Nunes Madureira e Adriano de Lima Simões.
Segundo os estatutos da Sociedade, quando no laboratório químico das minas se procedesse à destilação do mercúrio para extracção do ouro, a tal acto deveriam assistir todos os membros da gerência e os sócios que quisessem, pesando-se na presença de todos o metal extraído, lavrando-se acta em seguida.
A Sociedade não se dissolveria por morte ou interdição de qualquer dos sócios, mas somente nos casos previstos na lei e por deliberação tomada em assembleia geral em que estivessem representados três quartos do capital social, em primeira convocação; mais de metade do capital social e a gerência, em segunda convocação; ou a representação de qualquer capital, em terceira convocação.

(continua no próximo número)

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