Category: Número 10 - Julho 2009

14-07-09

ABRIL, MAIO E JUNHO

Permalink 22:34:20, Categories: Número 10 - Julho 2009  

UM TRIMESTRE RECHEADO DE EVENTOS

Começando na noite de 25 de Abril com o I ENCONTRO DE GRUPOS DE CANTARES REGIONAIS DO CONCELHO DE TOMAR, onde participaram o Grupo de Cantares Populares da Venda Nova, o Grupo de Cantares Regionais “Os Templários”, o Grupo de Cantares Populares Regionais de “Santa Maria dos Olivais” e o Grupo de Cantares Populares do Povo dos Brasões, ao qual assistiram dezenas de sócios e amigos, o segundo trimestre de 2009 terá sido um dos períodos mais ricos da vida da nossa colectividade.

Foi dos eventos com maior impacto a nível regional não só porque contou com quatro dos grupos de referência do concelho, mas também com a assistência de significativo número de acompanhantes, que partilharam saberes e experiências, sempre importantes para o movimento associativo.

O Grupo de Caminheiros de Poço Redondo, fez igualmente questão em demonstrar a sua vitalidade, com a participação nas caminhadas organizadas pelo CALMA/Tomar; pela a Associação Recreativa da Pedreira e pela Associação Cultural e Recreativa das Virtudes (Aveiras de Cima), bem como com a organização do II PASSEIO PEDESTRE DO POÇO REDONDO, no qual estiveram presentes cerca de 90 amantes da natureza em representação de vários grupos e associações da região de Tomar.

Contando inicialmente com pouco mais de meia dúzia de elementos, o Grupo de Caminheiros do Poço Redondo foi progressivamente aumentando e hoje, com mais de trinta, é sempre motivo de atenção especial por parte das organizações dos eventos em que participa, especialmente pela sua postura.

As Comemorações do dia do Divino Espírito Santo, também não deixaram seus créditos por mãos alheias, com a habitual tremoçada a seguir à Missa, desta vez oferecida pelo sócio Filipe Antunes, a anteceder o almoço/convívio onde estiveram presentes cerca de 120 sócios e amigos, entre quais o Revº Padre Dirceu, irmão brasileiro que se encontra a coadjuvar o Revº Padre Mário Duarte Farinha, actualmente responsável, entre outras, pelas paróquias de Olalhas e da Junceira.

Para encerrar, a nossa Associação fez-se representar no Festival da Sopa organizado pelo CASO – Centro Social de Olalhas e nos Jogos Populares da mesma freguesia, onde conquistou um honroso 5º lugar.

Nestes últimos acontecimentos, o lugar do Poço Redondo esteve presente com um largo número de participantes, vindo a sopa confeccionada pelo sócio Isidro Silva a merecer rasgados elogios não só por parte dos poçoredondenses, como também por todos os restantes comensais, que este ano rondaram as 250 pessoas.

EDITORIAL

Permalink 22:30:17, Categories: Número 10 - Julho 2009  

A crise tem sido o mote da imprensa escrita e falada, com os telejornais a ocuparem grande parte do seu espaço com notícias e comentários de arrepiar.

Poucos são os dias em que não surgem empresas a encerrar as suas actividades e milhares de trabalhadores lançados no desemprego.

A crise tem servido para tudo e para desculpa de tudo. É certo que em muitos casos a asfixia económica empurrou de tal forma o tecido empresarial contra a parede, que o deixou sem quaisquer possibilidades de reacção, a não ser a paralisação total. No entanto, também não deixa de ser verdade que outras situação há em que o oportunismo e a ausência de valores morais e éticos tem permitido abusos a todos os níveis reprováveis.

Em nome da crise tudo é possível. A manipulação de dados estatísticos; a violação dos direitos humanos; o vexame; a humilhação e o desprezo pelo seu semelhante.

As assimetrias sociais são cada vez acentuadas e a miséria cada vez maior. A situação dos mais desfavorecidos piora a todo o momento, mas, em contrapartida, as condições de vida de outros melhoram a olhos vistos.

Torna-se necessário uma profunda reflexão a nível social, político e económico, pois, se tal não acontecer urgentemente, entraremos na situação do “salve-se quem puder”, cujas consequências serão imprevisíveis.

Américo Pereira

TURISMO NO POÇO REDONDO

Permalink 22:26:47, Categories: Número 10 - Julho 2009  

BRINCADEIRA OU REALIDADE

Para a maioria das pessoas, a actividade turística é sinónimo de elevados investimentos e locais paradisíacos. No entanto, se analisarmos o turismo de uma forma bastante pragmática, facilmente obtemos a certeza de que estamos a falar de uma simples actividade comercial que possui produtos ou experiências para todos os gostos e para as mais diferentes posses financeiras.

Numa perspectiva comercial, o turismo traduz-se na forma de um produto. Produto este, composto por um vasto números de recursos tangíveis e/ou intangíveis. Um exemplo bastante simples, para uma melhor contextualização, passa pela junção de uma unidade de alojamento, com unidades de restauração, diferentes programas com passeios culturais, visitas ao património cultural local, gastronomia local, história, estórias, entre outros, compondo assim, possivelmente, um produto turístico.

De uma forma bastante geral, os recursos são todos os elementos que compõem o produto, ou seja, o “todo” que se pretende vender.

Para além da eterna questão de quem aposta no turismo esperar retornos imensuráveis no dia seguinte e de que tudo se faz sem qualquer tipo de projecção a médio / longo prazo, muitas vezes os projectos turísticos pecam pela falta de sensibilidade no domínio da exploração dos recursos. Por vezes, um recurso que pode estar completamente desenquadrado do objectivo que se pretende na altura, pode ser quase como a “cereja no topo do bolo” para qualquer outro produto.

É preciso ter consciência e sensibilidade para se definir o que é autêntico e o que deve fazer parte dessa equação de experiências, que é o fenómeno do produto turístico.

A afirmação: “Há clientes para tudo!”, desde sempre que faz parte da história comercial e das conversas genuínas inerentes à mesma. A actividade turística não é excepção à regra. Existem segmentos de mercado tão distintos, que possibilitam e que, até mesmo, requerem algo de diferente e inovador, fazendo com que haja “clientes para tudo”.

Ou seja, o Poço Redondo, a par de outros locais idênticos, reúne condições para iniciar e fomentar a actividade turística local, encontrando-se numa posição mais vantajosa através da existência do parque de campismo – Camping Redondo. A proximidade com Tomar, cidade detentora de um monumento classificado pela UNESCO como Património Mundial – o Convento de Cristo, revela-se, numa perspectiva turística, uma mais-valia ímpar e, sem dúvida alguma, o simples facto de o Parque de Campismo de Tomar não se encontrar em funcionamento, pode lançar o Poço Redondo turisticamente para o mapa de um determinado segmento turístico, ou seja, de potencial grupo de consumidores.

Neste ponto, a união da população local juntamente com a história que lhe pertence, assim como o seu respectivo património cultural, quer seja material ou imaterial, serão elementos essenciais de um futuro local, estratégico, de portas abertas para um mundo de curiosos e de turistas.

O Poço Redondo já não se encontra na casa de partida do turismo. Basta haver vontade de trabalhar e não seguir pelo caminho da ambição desmedida.

João Coelho

SABIA QUE ...

Permalink 22:21:27, Categories: Número 10 - Julho 2009  

A romã é um fruto com elevado poder antioxidante e tem muitos mais benefícios do que aqueles que se imagina.

A romã é extremamente rica, porém com reduzido valor calórico. É rica em vitaminas A e E, potássio, ácido fólico e polifenóis, de entre os quais se destacam: punicalaginas, principais responsáveis pelas propriedades antioxidantes do sumo, intervenientes na redução de processos inflamatórios (responsáveis pelo envelhecimento celular, aparecimento de doença coronária e de alguns tipos de cancro).

Destaca-se também o seu elevado conteúdo em vitamina C, sendo que uma romã fornece aproximadamente 40% da dose diária necessária a um adulto. Também o seu elevado teor em ácido fólico é importante para a saúde cardiovascular, já que este nutriente é essencial para a manutenção de níveis reduzidos de homocisteína, aminoácido que se julga associado ao desenvolvimento precoce de doenças coronárias.

Das suas sementes é também obtido um óleo com propriedades antibióticas e anti-inflamatório, considerado como tónico para o sistema neuromuscular.

De acordo com os cardiologistas, a ingestão frequente de sumo de romã reduz até cerca de 30% os riscos de enfarte. Pesquisas recentes sugerem também a eficácia no combate ao cancro e à osteoartrite.

As sementes de romã, contidas no interior dos pequenos bagos vermelhos, apresentam propriedades fitoestrogénicas úteis na regulação de algumas alterações hormonais e no alívio dos sintomas associados à menopausa. Devido às propriedades anti-microbianas do sumo, o seu extracto tem vindo a ser utilizado por alguns ginecologistas no tratamento de casos de leucorreia e até mesmo no combate ao vírus do herpes genital.

JOGOS POPULARES DE OLALHAS

Permalink 22:17:02, Categories: Número 10 - Julho 2009  

Com a participação de oito das dez colectividades existentes, decorreram no passado dia 11 de Junho, no Campo de Futebol do Fateixo, mais uma edição dos Jogos Populares organizados no âmbito das Actividades Inter-Associativas da Freguesia de Olalhas, desta vez com uma assistência fora do normal por força do Festival das Sopas da responsabilidade do CASO – Centro de Assistência Social de Olalhas – que ocorreu no mesmo dia e local.

Embora inicialmente o evento se encontrasse agendado para o Sábado anterior, 6 de Junho, tal acabou por não ser possível, dado o S. Pedro ter escolhido aquele dia para nos premiar com chuva e frio inusitado para a época.

Porém, em contrapartida, veio a brindar-nos com um dia de Corpo de Deus solarengo e de temperatura adequada para a prática desportiva/recreativa, que por certo serviu de incentivo aos vários participantes, cujo desempenho se poderá considerar como altamente satisfatório.

Concluídos os nove jogos da prova – corte do tronco a serrote, corrida de cântaros, corrida de sacos, corrida de púcaras, corrida de pipas, chinquilho, luta de tracção, corrida de cestos e subida ao mastro – a classificação ficou assim ordenada:

1º - Associação da Amêndoa - 35 pts.
2º - Associação da Aboboreiras - 28 pts.
3º - Associação de Olalhas - 28 pts.
4º - Associação da Vialonga - 21 pts.
5º - Associação do Poço Redondo - 19 pts.
6º - Associação do Carqueijal - 16 pts.
7º - Associação do Cardal - 11 pts.
8º - Associação do Vale da Idanha - 10 pts.

FESTA DA PARÓQUIA DE OLALHAS

Permalink 22:12:43, Categories: Número 10 - Julho 2009  

Tal como o previsto, a Festa da Paróquia de Olalhas do passado dia 31 de Maio, Dia de Pentecostes, além de contar com um elevadíssimo número de participantes, contou ainda com o envolvimento da quase totalidade das Associações da Freguesia e Comissões de Culto das várias Capelas.

Embora seja um dos eventos mais antigos da região, antes conhecida por “Festa da Senhora do Prato”, por anteceder o Círio a Dornes, na Terça Feira a seguir ao Domingo do Espírito Santo, cujo esplendor e magnificência o torna num dos mais importantes acontecimentos religiosos do Concelho, nem sempre as coisas correm pelo melhor, como o que aconteceu com a procissão que se seguiu à Missa Campal celebrada pelo Revº Padre Mário Duarte, em que a confusão gerada levou alguns dos intervenientes a ficarem baralhados.

Ora, porque a Festa da Paróquia, além do mais, deverá servir como referência a todas as outras que se realizem na Freguesia, entendemos por bem transcrever uma pequena reflexão do Revº Padre Joaquim Ganhão, do Gabinete Episcopal da Diocese de Santarém, no que a esta matéria diz respeito:
- O termo procissão deriva do latim,
«procedere», que significa caminhar para a frente. Em muitas culturas religiosas trata-se de um caminhar em conjunto com uma finalidade religiosa, conjugando a oração e o movimento. Este género de movimento ocupa também um lugar importante na liturgia e na religiosidade popular cristã, porque exprime o sentido dinâmico da Igreja em marcha e torna visíveis os caminhos interiores da conversão e da festa. A procissão, entendida como um caminhar com os outros de um lugar para o outro, manifesta claramente a vontade comum de avançar para uma meta.

Muitas procissões, de modo particular aquelas que são motivadas pela religiosidade popular, decorrem fora da Igreja. Deste modo entendemos como a procissão manifesta àqueles que nela tomam parte activa (os que a realizam) ou passiva (os que a observam de fora) o mistério de Cristo e da Igreja.

Assim, a procissão é antes de mais um desvelamento, uma revelação, um colocar ao alcance de todos, aquelas realidades que, em cada dia, na intimidade da comunidade, dão sentido à vida. A procissão manifesta de modo simples, acessível, festivo e belo a fé da Igreja. Daí algumas exigências para aqueles que têm a responsabilidade de preparar tais manifestações de Fé.

O elemento primeiro de uma procissão cristã é sempre a Cruz. A Igreja é o Povo que caminha tendo sempre diante de si a Cruz do seu Senhor e Salvador. A partir da Cruz estrutura-se toda a procissão: os andores e fogaças com as ofertas, os estandartes; os andores dos Santos (cada um por ordem de importância, reservando-se o ultimo lugar para a padroeira ou padroeiro); os acólitos; o Palio com o Clero; os cantores; a banda e o Povo.

PROFISSÕES E OFÍCIOS DOS ANOS ONTEM

Permalink 22:09:44, Categories: Número 10 - Julho 2009  

O TANOEIRO

A profissão de tanoeiro, construtor de pipas, balseiros e tonéis entre outros, encontra-se em vias de extinção, sendo o nosso associado Leonel Martins o último artífice dessa arte no Lugar de Poço Redondo, cujas ferramentas já arrumou há mais de quarenta anos.

Não existem elementos que nos permitam determinar a origem da indústria da tanoaria, mas segundo alguns historiadores o barril ou casco de madeira terá aparecido no Século I a. C., face à necessidade de substituir as ânforas cerâmicas até então muito utilizadas, por não abundarem outros modelos de vasilhame.

Embora mais tarde o seu desenvolvimento se encontre mais ligado à vinicultura, não devemos esquecer que ao longo de milhares de anos não existiam muitos recipientes para o transporte e conserva de azeite, água, azeitonas, etc. e que nas viagens marítimas foi necessário vasilhame para o transporte de água potável, peixe seco e salgado, carne salgada e outros bens alimentares necessários à sobrevivências dos marinheiros.

As madeiras utilizadas nesta indústria, de árvores de meia idade mas já feitas, não podem ter veios nem nós e devem ser elásticas, com fibras e côr uniformes, devendo ainda ser cortadas no inverno, altura em que as árvores tem menos seiva, para evitar que transmitam aos líquidos a que se destina o vasilhame, nomeadamente ao vinho, gostos e aromas de gomas, resinas, etc.

O carvalho é o tipo mais utilizado, havendo preferência por aquele que tem a madeira de grão mais fino e menos porosa. No entanto, à falta desta, também são utilizadas outras madeiras mais baratas, como as de castanheiro, cerejeira, faia e eucalipto.

Cortados os toros em abas e depois em aduelas, estas permanecem em grades ou castelos até secarem. Depois é feita a destrinça, com a escolha das melhores para o corpo dos barris e as restantes para os tampos.

Enquanto os tampos são feitos unindo algumas aduelas com pregos de madeira de duas pontas, depois arredondados com compasso, que lhe dá as coordenadas, o corpo do barril é montado com aduelas cortadas à medida, posteriormente alombadas (para lhe dar o bojo) por acção do fogo.

O barril é “armado” não com os arcos definitivos – feitos tiras de chapa de ferro unidas nas extremidades com cravos – mas com os chamados “arcos de bastição”, que se caracterizam por uma maior resistência, necessária para aguentar as pancadas do malho.

O número de aduelas é calculado com a “pareia”, em função da sua dimensão, e fechado o círculo, as mesmas são presas com o “arco de bastição”, após o que o barril vai ao espargimento (fogo) para apertar os arcos.

Feito isto, os “arcos de bastição” são aliviados para colocação dos tampos com a ajuda de uma “alheta” e depois substituídos pelos definitivos.
Por fim o barril é vedado com parafina.